Mover para chegar lá. Lá? Lá onde?

É, às vezes tudo parece confuso mesmo, ou enxergamos muitas alternativas ou enxergamos que não há alternativa. Às vezes, as muitas alternativas parecem que não são boas para nós. E às vezes, parece que não tem alternativa mesmo. Nada fecha, nada abre, nada acalma.

É nesta hora que a gente precisa parar, focar e escutar. Escutar a gente mesmo. Há muito barulho mental, estamos vivendo um momento onde todo mundo tem uma dica, uma idéia, uma sugestão, uma live para a gente assistir, um filme ou uma série para a gente ver, um livro para a gente ler e por aí vai. Eu acho sensacional ter amigos que recomendam tudo isso, que querem o nosso bem e por isso nos fazem recomendações. Isso por si só é maravilhoso, mas se a gente não se escutar, não observar o que andamos pensando e sentindo, podemos embarcar em uma recomendação que pode não ser boa para a gente naquele momento simplesmente por não estar alinhada com o que queremos ou com o que precisamos. E por que tudo isso é importante? Porque precisamos usar bem o nosso tempo, não podemos procrastinar o que realmente importa, precisamos focar. Precisamos achar o que vai “alimentar a nossa fome”, precisamos da peça que falta no nosso quebra-cabeça. Quando a gente se escuta, a gente se entende e descobre o que é preciso para sair deste caminho cruzado, e se fortalece para seguir em direção ao primeiro passo.

Prestar atenção na “comida” que estamos escolhendo para nos alimentar é o que precisamos fazer pois se for muita, vamos nos sentir cheios, pesados. Já se for pouca, vamos seguir com fome e sem energia. Quando se tem algo de mais ou de menos a gente não se movimenta. Entende?

No meu trabalho, eu tenho ajudado as pessoas com relação a isso, a escutar elas mesmas. Percebi, ao longo destes mais de 30 anos de experiência, que as pessoas têm dificuldade em se escutar e fazer suas escolhas. Estamos sempre esperando por alguém, seja o chefe para nos dizer qual é o nosso próximo desafio ou em que cidade vamos morar, seja o namorado para decidir se quer casar e ter ou não filhos, seja o amigo para nos chamar para jantar, seja a família decidir se vamos comemorar ou não o nosso aniversário.  A gente abafa o nosso barulho interno por falta de coragem. CO-RA-GEM. Agir com o coração baseados em nossos desejos, baseados no que realmente vai nos fazer felizes naquele momento, naquele dia, naquela semana, naquele mês, naquele ano… Precisamos priorizar o que vai fazer a gente feliz NESTA VIDA. Esta mesma, a que temos agora!

Outro dia, em uma das conversas que fiz com um coachee, ele me disse: “Mas se eu mudar isso agora, como vai ser em dezembro?”. A mudança era tão simples, que daqui a dezembro ele poderia ter feito mais 10 mudanças daquele tamanho, sem nenhum grande impacto, só que o medo de mudar era tão grande que o paralisava. Eu perguntei: “Como você acha que vai ser em dezembro? Será que até lá não pode ter acontecido outras coisas? Será que esta mudança é tão grande que até dezembro você não possa ajustá-la caso tenha necessidade? O que de pior pode acontecer se você der o primeiro passo? Este passo te aproxima ou te afasta da sua meta maior?”.


Perguntas reflexivas são perguntas que nos ajudam a ficar mais atentos, mais conscientes, a diminuir o tamanho dos problemas, a aumentar as possibilidades, a mapear riscos e impactos.

Enfim, o universo convidou a gente para desacelerar, a olhar um pouco mais o curto prazo (sem perder de vista o longo prazo, é claro). Vamos respirar um pouco mais, acelerar um pouco menos. Este “carro” é você quem dirige, veja a maravilha de poder colocar a velocidade que quiser – dentro dos limites de segurança, obviamente (risos). Um dia você pode escolher ir mais rápido, outro dia mais devagar. Sem medo e mais conscientes onde é o LÁ que queremos chegar. O importante é mover adiante, com um passo por dia em direção ao que realmente queremos. Só não podemos ficar parados.