Algumas pessoas com as quais eu lidero conversas de desenvolvimento têm muita clareza do que as incomodam. Sabem o que precisam mudar, mas não sabem como fazer. Escuto de forma recorrente: “Eu sei que preciso mudar, eu não consigo mudar, eu não tenho tempo, não tenho paciência, não consigo.”
Será que podemos trocar o verbo mudar pelo verbo ajustar? Será que fica mais leve e mais fácil assim? As pessoas estão conscientes, querem novos cenários, mas não são atraídas por mudanças. Mudar dá trabalho. Precisamos sair do modo consciência para o modo decisão e entrar no modo ação. Toda decisão precisa vir seguida de uma ação.
Tem sido comum ver pessoas travadas diante de um mundo com tantas possibilidades. O pensamento “e se” pode consumir os minutos, os dias, os meses e nos anestesiar. Podemos viver em um estado de procrastinação frequente e isso é perigoso demais, simplesmente pois se gasta muita energia vivendo assim. Energia gasta, neste caso, é energia perdida, pois ela não traz resultados e, desta forma, se realiza muito pouco.
As pessoas estão cansadas, sempre ocupadas, e então eu questiono: Estão produtivas? É preciso parar para analisar definitivamente a diferença de estar ocupado versus estar produtivo.
Mudar ou ajustar hábitos não é fácil, pois estamos falando de novas escolhas. Novas escolhas exigem algumas renúncias e renunciar significa abrir mão de um padrão, seja ele certo ou errado, saudável ou não. Abrir mão dói. Traz dores novas. Percebo muita gente escolhendo seguir com a dor velha. Quando a gente muda hábito, no começo é muito difícil, pois estamos “exercitando novos músculos”, tem dor mesmo, não é fácil. Mas abre caminhos para uma vida diferente, mais ajustada e mais prazerosa.
Recentemente, acompanhei a descoberta da minha filha pelo amor à cozinha. Curiosa, sem muitas opções na quarentena, me pediu para fazer um bolo. Apoiei, mesmo não sabendo cozinhar. No início, ela seguia à risca a receita, demorava para separar os ingredientes e sujava tudo que tinha no armário. Demorava. Era um hábito novo sendo desenvolvido. Evolui rápido. Teve disciplina. Hoje, 6 meses depois, ela nem olha para as receitas, tem uma agilidade incrível, suja pouca louça, não deixa bagunça, ajusta e experimenta. Resumindo: precisamos topar experimentar e passar pelos primeiros dias da mudança, conscientes de que não vai ser fácil e que aos poucos, ajustando uma coisa ou outra, tudo entra nos eixos. Simples assim.
O segredo para a mudança de hábitos vem de incorporar coisas simples e realistas no seu dia. Quer perder 30 kg? Vamos focar em perder 5? “Ah, 5kg não vão mudar nada!”. Esse é o pensamento que vem e te paralisa. Já viu algo assim por aí? É contra este pensamento que devemos focar, deixá-lo ir embora, não abraçá-lo quando ele chegar.
Fundamental a gente desenvolver o foco e o hábito para a nossa energia de ativação. Aprendi com Shawn Achor, professor de Harvard, sobre energia de ativação: a gente precisa estar a 20 segundos do que queremos fazer diferente. Por exemplo, se queremos ficar menos tempo no celular, precisamos deixá-lo em outro cômodo, ou seja, a 20 segundos de distância. Tudo é treino – aos poucos, o cérebro vai entendendo que as coisas mudaram e ele se ajusta, gerando pouca resistência dia após dia.
Outro exemplo: quer ser mais empático? Experimente em uma conversa esperar mais de 20 segundos para dar sua opinião, escute ativamente sem ficar planejando o que vai responder. Respire.
Se quer começar a treinar pela manhã, deixe o tênis ao lado da cama, a roupa separada, defina na noite anterior qual treino vai fazer. Ter a consciência de quais hábitos precisam ser ajustados no campo profissional ou pessoal é o primeiro passo. O segundo passo é definir possibilidades de ações e o terceiro é começar definindo quando, com qual periocidade e colocando na agenda. Se não estiver na agenda, provavelmente será mais difícil priorizar. Esforço, disciplina e foco serão necessários.
Eu também gosto muito de refletir sobre distração, não no sentido de divertimento e descontração, mas aquela distração que te afasta do que é realmente importante: distração com uma grande quantidade de notícias, informações, mensagens em tantas redes sociais e outras coisas que te afastam do que realmente é importante para você. O que anda te distraindo e engolindo seu tempo?
Nesta jornada, identifique ajustes necessários e pratique a energia de ativação, tome com antecedência decisões que facilitarão colocar um novo hábito em prática. São atitudes simples que te deixam 20 segundos mais perto do que realmente quer. Escolha. Ajuste. Experimente. Faça por você.


