A gente precisa ter clareza de uma coisa que quer da vida. Pelo menos uma!

Quando a gente tem clareza de algo maior que queremos alcançar, a gente consegue definir melhor todas as nossas escolhas, escolhas estas que precisam ser direcionadas e alinhadas com esta meta ou sonho maior.

É comum a gente querer muita coisa e estar sempre frustrado por não conseguir dar conta de tudo, temos tantas responsabilidades e o nosso dia só tem 24 horas. Eu escuto muito isso nos processos de desenvolvimentos com os coachees e mentorados: “Eu gostaria que o dia tivesse mais horas”. Eu respondo: “Legal, mas isso não vai acontecer. O que você pode fazer de fato para usar melhor as horas que tem? Seguir sonhando que o dia poderia ter mais horas, que a semana poderia ser mais longa, que o fim de semana poderia ter 3 dias são pensamentos que podem acontecer mas não vão te levar a nada diferente do que você já tem hoje.” Questionamentos duros ou realistas?

Quando a gente sabe o que quer, fica mais claro definir a que ou a quem vamos dizer sim e ao que ou a quem vamos dizer não. Eu sempre me pergunto quando recebo qualquer convite: isso me aproxima ou me afasta da minha meta maior? Ou da minha meta do dia, ou do mês? É algo automático, não me dá trabalho refletir 5 segundos antes de dizer um sim.

O centro da decisão da minha vida sempre foi ter saúde para poder viver bastante com meus pais, saúde para trabalhar com o que eu gosto, saúde para construir minha família e saúde para conviver com a minha filha o maior número de dias possível.

A partir disso, faço as minhas escolhas de alimentação, atividade física, horas de sono, pessoas que quero por perto, trabalho que quero realizar, exames preventivos, etc. É fácil? Pode ser que sim, pode ser que não, depende de qual seja a definição de fácil para você. Para mim é fácil, pois está ligado à minha meta principal que é ter saúde.

Durante anos da minha vida, ter saúde era importante para eu viver bem, trabalhar, me desenvolver e poder oferecer cada vez mais minha presença e boas experiências para os meus pais.

Quando a Rafaela (minha filhona) nasceu, durante uma madrugada, amamentando e refletindo sobre o tamanho do meu amor por ela, eu pensei: “Já tenho 40 anos. O que farei para viver bastante, com saúde, curtindo este amor e convivendo bastante com esta mocinha?”. Foi nesta noite que eu desenvolvi mentalmente e depois coloquei no papel o meu projeto. Fiz como um projeto mesmo, daqueles tantos que a gente faz nas empresas, dei nome, defini o plano de ação, defini datas de entregas, datas de revisão, forma de monitorar para ajustar etc. Defini também pessoas importantes para trabalhar comigo neste projeto – afinal, não se realiza nada sozinho. Por mais que possamos desenvolver muita coisa na hora da implementação, precisamos de apoio de pelo menos uma pessoa, certo?

Foi aí que nasceu meu projeto “Festa de 50 anos da Rafa”. Imaginem isso: ela tinha semanas de vida e eu já estava pensando na festa dela de 50 anos – e não estava pensando no tema, nas bexigas e no sabor do bolo. O meu pensamento era: aos 90 anos, estarei na festa da minha filha. No início era “eu quero estar nesta festa” e, aos poucos, fui ajustando para “eu vou estar nesta festa” e depois como estarei nesta festa.

Muitos podem pensar que isso me aprisiona, pois exige demais de mim. Mas é o contrário: isso me liberta, me deixa leve, focada e feliz. Seguir viva e completar 90 anos não está no meu controle, mas pelo menos uma parte eu sou responsável, se chegar lá, chegarei bem.

Outro dia, encontrei o Marcio Atala em um evento e tive a oportunidade de compartilhar com ele o meu projeto. Ele gostou muito e me disse: “Inclua no seu projeto: poder se vestir sozinha para ir à festa, poder levantar e ir ao banheiro sozinha também durante a festa. Fortaleça as pernas para você ter mobilidade e autonomia”. Foi uma dica simples e de impacto para mim. Óbvio que não foi uma novidade, mas era algo não mapeado, pois eu não sou apaixonada pela musculação e, às vezes, não colocamos na nossa lista coisas que não gostamos de fazer, mas são necessárias para o atingimento de uma meta, de um sonho. Plano reajustado. Ter o sonho, o plano e não agir não te leva à realização, infelizmente.


Tenho um orgulho enorme deste projeto. Falo dele com tanta alegria que contagio as pessoas, é maravilhoso quando escuto de familiares ou amigos “eu também quero estar na festa de 50 anos da Rafa”. Sensacional!! Talvez eu não conheça todos os convidados, talvez eu não reconheça algumas pessoas, mas ela saberá que estou ali realizando algo grande em nome do AMOR.

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